quinta-feira, 20 de maio de 2010

A MISERIA DO OPERARIO DURANTE A REVOLUÇÃO INDUSTRIAL

Carta de Betty Harris, 37 anos, denunciando as terríveis condições de vida do trabalhador inglês durante a Revolução Industrial:

“Casei-me aos 23 anos, e foi somente depois de casada que desci à mina; não sei ler nem escrever. Trabalho para Andrew Knowles, da Little Bolton (Lancashire). Puxo pequenos vagões de carvão; trabalho das 6 da manhã às 6 da tarde. Há uma pausa de cerca de uma hora, ao meio-dia, para almoço; dão-me pão e manteiga, mas nada para beber. Tenho dois filhos, porém eles são jovens demais para trabalhar. Eu puxava esses vagões, quando estava grávida. Conheci uma mulher que voltou para casa, se lavou, se deitou, deu à luz e retornou o trabalho menos de uma semana depois. Tenho uma correia em volta da cintura, uma corrente que passa por entre as minhas pernas e ando sobre as mãos e os pés.

O caminho é muito íngreme, e somos obrigados a segurar uma corda – e quando não há corda, nós nos agarramos a tudo o que podemos. Nos poços onde trabalho, há seis mulheres e meia dúzia de rapazes e garotas; é um trabalho muito duro para uma mulher. No local onde trabalho, a cova é muito úmida e a água sempre cobre nossos sapatos. Um dia, a água chegou até minhas coxas. E o que cai do teto é terrível! Minhas roupas ficam molhadas durante quase o dia todo. Nunca fiquei doente em minha vida, a não ser na época dos partos. Estou muito cansada quando volto à noite para casa, às vezes adormeço antes de me lavar. Não sou mais tão forte como antes, não tenho mais a mesma resistência no trabalho. Puxei esses vagões até arrancar a pele; a correia e a corrente são ainda piores quando se espera uma criança”.


O discurso do pregador M. G. Alston, pregador de St. Philip, Bethnal Green, do estado de sua paróquia (um bairro operário):


“Ela possui 1.400 casas habitadas por 2.795 famílias, ou seja, cerca de 12.000 pessoas. O espaço em que habita esta importante população não chega a 400 jardas quadradas, e num tal amontoado não é raro encontrar um homem, a sua mulher, quatro ou cinco filhos e também por vezes o avô e a avó num só quarto de 10 ou 12 pés quadrados, onde trabalham, comem e dormem. Creio que antes do bispo de Londres ter chamado a atenção do publico para esta paróquia tão miserável ela era tão pouco conhecida na extremidade oeste da cidade como os selvagens da Austrália ou das ilhas do Pacifico. E, se quisermos conhecer pessoalmente os sofrimentos destes infelizes, se os observarmos a comer a sua magra refeição e os virmos curvados pela doença e pelo desemprego, descobrimos uma tal soma de angustia de miséria que uma nação como a nossa deveria envergonha-se de sua existência. Fui pastor perto de Huddersfield durante os três anos de crise, no pior momento de marasmo das fabricas, mas nunca vi os pobres numa miséria tão profunda como depois, Bethnal Green. Não há um único pai de família em cada 10, em toda vizinhança, que tenha outras roupas alem de sua roupa de trabalho, e esta rota e esfarrapada; muitos só têm, à noite, como cobertas, estes farrapos e, por cama, um saco cheio de palha e de serragem”

Revista inglesa publica um artigo denunciando as péssimas condições sanitárias dos operários das cidades:

“Essas ruas são em geral tão estreitas que se pode saltar de uma janela para a da casa em frente, e os edifícios apresentam, por outro lado, uma tal acumulação de andares que a luz mal pode penetrar no pátio ou na ruela que os separa. Nesta parte da cidade não há nem esgoto nem banheiros públicos ou sanitários nas casas, e é por isso que as imundícies, detritos ou excrementos de, pelo menos, 50.000 pessoas são lançadas todas as noites nas valetas, de tal modo que, apesar da limpeza das ruas, há uma massa de excrementos secos com emanações nauseabundas, que não só ferem a vista e o olfato, como, por outro lado, representam um perigo extremo para a saúde dos habitantes. Causaria espanto que em tais locais se negligenciam os mínimos cuidados com a saúde, os bons costumes e até as regras mais elementares da decência? Pelo contrario, todos os que conhecem bem a situação dos habitantes testemunharão o alto grau que a doença, a miséria e a ausência de moral ali atingiram. Nestas regiões a sociedade desceu a um nível indescritivelmente baixo e miserável. As habitações da classe pobre são em geral muito sujas e aparentemente nunca são limpas, seja de que maneira for; compõe-se, a maior parte das casas, de uma única sala – onde, apesar da ventilação ser das piores, faz sempre frio por causa das janelas partidas ou mal adaptadas – que muitas vezes é úmida e fica no subsolo, sempre mal mobiliada e invariavelmente inabitável, a ponto de um monte de palha servir frequentemente de cama para uma família inteira, cama onde se deitam, numa confusão revoltante, homens, mulheres, velhos e crianças. Só se encontra água nas bombas publicas e a dificuldade para a ir buscar favorece naturalmente toda a imundice possível”

FONTE: Nucleo de Estudos Contemporaneos - NEC

Um comentário:

  1. Boa tarde Thiago
    Parabéns pelo seu blog, muito bem feito e muito bonito.
    Sou professora de História e gostaria de saber se você tem a referência completa dessas revistas e onde posso encontrá-las. Esse núcleo é de qual Universidade?
    Obrigada pela ajuda.
    Tathyana
    Meu e-mail é historiananet@gmail.com

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