domingo, 22 de janeiro de 2017

UTOPIA DA LIBERDADE


O conceito de liberdade opera uma inversão de formas de opressão: no regime despótico o Estado oprime a vontade, no liberalismo é a consciência que age com força opressora. Como a consciência é variável, e em muitos casos inexistente, tem-se a impressão de que na democracia existe liberdade.
O próprio conceito de liberdade traz em si a proposta de conflito na medida em que o homem se vê abrigado a adequar seus interesses pessoais com o coletivo, ou seja, o homem se torna um alquimista social cuja obrigação é transformar desejo – força sedutora do inconsciente – em vontade. Vontade e desejo são completos opostos: vontade surge da reflexão, da avaliação dos prós e contras; já o desejo é apenas a manifestação do pólo pulsional e primitivo.
A liberdade também possui sua dose de opressão e está se torna clara quando se compreende que o homem, e somente ele, é responsável por seus atos. É essa a força esmagadora que o homem “livre” - o Atlas da modernidade - carrega nos ombros.
O existencialismo define que primeiro o homem existe como um nada e posteriormente define seu nicho social. Trata-se da absoluta negação da essência criadora, do “dom” natural, da aptidão genealógica. O homem segue por caminhos que se definem por meio de suas escolhas. Só em retrospecto ele reconhece suas falhas. Tragicamente essas falhas só se tornaram visíveis quando adquirem o status de incorrigíveis.
A ideia de liberdade ainda se confunde com a de “cada um por si”. O Estado paternalista autoritário faz despertar a natureza rebelde do homem que mergulha no rumo da busca por liberdade sem saber que ruma para novas formas de opressão. Liberdade não é cada um por si! Cada atitude individual possui um eco coletivo, viver como um Robinson Cruzoe não é uma opção é apenas uma utopia.
AUTOR
TIAGO RODRIGUES CARVALHO

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